Porque os dias assim me fazem lembrar como a vida deve ser: leve, fluida e espontânea.
Já tentei gostar de futebol quando era criança, torcia por um time e tal, mas o gosto logo passou quando meu time perdeu o Campeonato Brasileiro. É, pulei fora do barco na primeira derrota do time. Definitivamente, eu não tinha determinação pra coisa.
Na escola, eu não suportava os dias posteriores aos dias de jogos de futebol na TV, quando, nos minutos antes das aulas começarem, enquanto os alunos se acumulavam na sala, algum colega já passava pela porta gritando com outro, porque o time do outro havia perdido. Tudo isso acompanhado de gritos trogloditas e selvagens do tipo “Chuuuuupa, tricolor” ou “Toooooma, vozão”.
E toda a comoção durante campeonatos, os comentários em todos os lugares, toda a pressão por você estar na torcida, estar acompanhando os jogos, a pergunta “por qual time você torce?”, os gritos em restaurantes quando tudo que eu queria era comer sossegado acabaram transformando meu não-gostar de futebol por um tremendo abuso.
Já joguei vôlei em 1992, fiz natação durante uns cinco anos, joguei basquete em 1999 e hoje banco o ciclista, mas se tem algo por que não consigo ter apreço é futebol. Minha única aproximação do futebol foi um campeonato durante a primeira série do primeiro grau (como chamam primeiro grau hoje?) onde o único esporte disponível era futebol, no qual certamente contribuí para a derrota de meu time.
Me perdoem, amigos, mas não gosto de futebol, não gosto de racha e vou recusar o convite pra ver o jogo do Brasil no telão de alguma churrascaria.
Pronto, falei.
Kundera é afiadíssimo e incômodo. Suas reflexões sobre o ser humano, seu comportamento, seu pensamento e sua alma incomodam. A profundidade que ele avança em seus personagens é fabulosa. E ele discorre perigosamente sobre questões essenciais da existência, dos relacionamentos e do pensamento humanos.
Hm, que tal o acaso?
“Só o acaso pode nos parecer uma mensagem. Aquilo que acontece por necessidade, aquilo que é esperado e se repete cotidianamente é coisa muda apenas. Somente o acaso tem voz. Tenta-se ler no acaso como as ciganas lêem no fundo de uma xícara os desenhos deixados pela borra do café. (…) O acaso tem seus sortilégios, a necessidade não. Para que um amor seja inesquecível, é preciso que os acasos se encontrem nele desde o primeiro instante como os pássaros nos ombros de São Francisco de Assis.”
E as dúvidas?
“Só as perguntas mais ingênuas são realmente perguntas sérias. São as interrogações para as quais não há resposta. Uma pergunta para a qual não há resposta é uma cancela além da qual não há mais caminhos. Em outras palavras: são precisamente as perguntas para as quais não há respostas que marcam os limites das possibilidades humanas e que traçam as fronteiras da nossa existência.”
E o amor, Kundera?
“(…) E os amores são como os impérios: desaparecendo a idéia sobre a qual foram construídos, morrem com ela.”
“(…) O amor começa por uma metáfora. Ou melhor: o amor começa no instante em que uma mulher se inscreve com uma palavra em nossa memória poética.”
Não há dúvidas: Kundera sabe criar personagens como ninguém, e a partir deles discorrer como ninguém sobre toda as questões da humanidade.
Depois de cinco anos na universidade, convivendo com pessoas que se dizem militantes de esquerda, as palavras “militantes” e “esquerda” me assustam (e olha que entrei na universidade me dizendo petista e esquerdista, na época em que o PT era esquerda).
Confesso que, depois de pegar gosto pelo ciclismo e de ler mais sobre temas como ecologia e sustentabilidade, fiquei impressionado com a cicleata de Renato Roseno, candidato a prefeito pelo PSOL. Apesar da antiga campanha de Luizianne Lins para fazer uma cidade mais bonita, proposta de Roseno foi a mais clara que já vi numa campanha de tentar criar alternativas para o uso do automóvel. Definitivamente, pelas terras alencarinas não há grande mobilização em torno de temas ecológicos. E, segundo as pesquisas, Renato Roseno conta com 3% dos eleitores.
Em São Paulo, ao invés de criar alternativas para o automóvel, como melhorar o transporte coletivo e incentivar o rodízio (a Lei Seca já nos mostrou que o brasileiro sabe fazer rodízio e dividir seu carro com caronas…), Paulo Maluf tem como proposta criar freeways para desafogar o trânsito de São Paulo. Maluf, segundo as pesquisas, também perderia feio.
Por falar em desafogar o trânsito, hoje mesmo fui acordado por uma carreata barulhenta perto de casa, dum tal Paulo Facó, candidato a vereador. Em seguida fui ao supermercado e o trânsito nas proximidades estava uma porcaria, por causa da mesma carreata. Até motorista segurando bandeira com uma das mãos eu vi. Se ele acha que esse tumulto todo gera votos, o meu ele nunca vai ganhar.
Falta só uma semana. O que serão dos próximos 4 anos, Deus sabe.
Chovia forte, uma daquelas chuvas que a gente não sabe de onde vêm. Não lembro exatamente que horas eram, mas a maioria das pessoas já tinha ido pra casa. Chovia pra caramba, chovia pesado, chovia muito. Hoje, talvez, pareça ter chovido mais do que realmente choveu, os anos passam e aumentam a intensidade das coisas na memória, acho, mas tenho quase certeza que foi um dilúvio.
A gente começou a correr, no meio da chuva, em direção ao carro. Ríamos, ríamos alto, gritávamos e falávamos palavrões, vibrando com aquilo tudo. Completamente encharcados, a água escorrendo dos cabelos vermelhos, as roupas pesadas, e algumas pessoas olhavam pra nós estranhando aquela cena. Talvez tenha sido uma das trocentas vezes, na minha vida, em que as pessoas achavam que eu estava bêbado e eu não estava. A gente não se importava. A gente ria e curtia aquele momento.
Tudo tinha uma sensação boa e estranha de recomeço. Entramos no carro, e, ao ligarmos o rádio, tocava New Year’s Day, do U2. E a gente ainda gritava, naquele momento de euforia que eu nunca vou esquecer, como eu sempre vou lembrar daquela noite .
E eu queria sentir de novo a sensação que senti naquela noite de sábado, provar de novo da leveza e do desprendimento que eu descobri naquele momento, ser de novo quem eu fui naquele dia. Que não tarde, meu Deus, que não tarde.
Mais: tenho a impressão de que há muito o que se fazer e muito pouco tempo.
Há muito pra ler,
muito pra assistir,
muito pra escrever,
muito pra ouvir,
muito pra conversar,
muito pra conhecer…
E pensar que na adolescência eu reclamava tanto de tédio.
Já faz alguns meses desde que comecei a pedalar. Não sei até hoje de onde veio essa vontade, talvez pelo fato de ser algo que não fiz durante a infância e que precisei retomar na idade adulta, aos 23 anos. Nunca é tarde pra se descobrir um novo gosto, principalmente quando ele é saudável.
Sendo conciso: pedalar é uma paixão que descobri aos 23 anos, é algo que me dá um tremendo gosto e que já vi que vou levar pro resto da vida.
Prometi a mim mesmo que me juntaria a um desses grupos de passeio noturno de ciclistas durante as férias. Há algumas semanas, descobri no orkut um grupo de ciclistas que sai toda segunda e quarta às 20h da frente da lanchonete Subway da Av. Washington Soares. Cumpri minha promessa, e hoje as segundas e quartas saio correndo do trabalho pra arrumar as coisas pra pedalar.
No início fiquei meio ansioso: nunca havia pedalado na rua, tinha medo dos carros, temia não ter ritmo. Mas se não há razão de existir dos medos senão ser encarados, meti as fuças. Estranhei quando me vi desviando tão fácil dos carros, passando entre eles. E dia após dia a naturalidade aumenta, assim como meu gosto pelo ciclismo.
O grupo, que anda em ritmo moderado justamente para acostumar os iniciantes, é bastante receptivo. Aliás, de todos os círculos sociais de que me considero parte, posso dizer que os ciclistas são o grupo mais receptivo: sempre pacientes com os iniciantes e sempre com uma palavra de incentivo.
Pedalar em grupo pela cidade à noite é fantástico. Ver de perto lugares que de dia passam despercebidos, conhecer lugares novos por onde eu nunca havia passado de carro ou simplesmente sentir o vento nas descidas é algo que devia fazer os portadores de bicicletas ergométricas se arrependerem de não terem optado por uma bicicleta com rodas.
O resultado imediato é que, além da diversão do momento, já me sinto mais disposto, minha diabetes tem estado mais controlada e o mais milagroso: arrumei uma razão pra gostar das segundas…
Tradução livre das últimas frases: é fácil não perceber algo por que você não está esperando. Preste atenção nos ciclistas. Merece a divulgação não apenas pela tirada do vídeo que é muito boa, como pelo fato de que há alguns meses venho me aproximando do ciclismo.
Nunca esqueci do Espanta contando uma piada sobre um casal de velhinhos dormindo, de madrugada, quando a velhinha acorda passando mal:
Talvez o Espanta não soubesse, mas além de humorista ele era um pouco filósofo.
Definição pessoal de Deus: Deus é energia em movimento.
A vida tem lá seu jeito de nos enviar sinais, e algo acima de nós tem lá seu jeito de nos indicar caminhos. Precisamos ter mente e coração abertos pra captá-los.
Nuff said.
Powered by WordPress version 2.7-beta2-9600
100% feito usando software livre